Comichão Cognitiva
E ao fim de muitos anos finalmente descobri a denominação cientifica
para o fenómeno “ter uma música na cabeça”
chama-se Comichão Cognitiva !
Só.
Sinto-me só.
O vento quando passa, chega a todos, mas não me chega a mim.
Se eu pudesse ser como o vento, viajava por todo o lado para chegar a aqui, e ali.
O meu coração é o único que está comigo, mas não me diz o que quero ouvir.
Ás vezes até prefere ficar calado, silêncio que incomoda e não deixa dormir…
Uma melodia triste entoa nos meus ouvidos,
Gosto dela. Como se gostasse do que é triste,
Mas também ouço uma nota mais alegre
Mas todos me dizem que não existe…
Só.
Continuo só.
Foi então que resolvi tornar-me amiga do “só”
Apresentei-lhe a minha vida, quem eu sou
Falei dos meus sonhos, dos meus medos
E fiquei feliz quando o “só”me abraçou.
Só
Já não estou.
Estou a sós, com o só.
Procuro sair mas só vejo uma porta
Quero chegar ao fim mas ainda nem comecei
A porta parece torta
Mas diz entrada, e eu nem pensei…
Que Preciso de gritar
Mas na garganta, só tenho nós
Tenho que entrar por aquela saída
Mas falta-me a forte voz
A dúvida faz-me pequena.
O medo faz-me chorar
O despertar magoa-me
Mas o grito vai-me salvar
Estendo a mão no desespero
Suplico que me salves
Grito
Estendes a tua mão…
Eu agarro perdida
Mas logo fico segura
E então,
Porque duvidei?
Sou de pouca,
Mulher de pouca fé.
Em mim não há espaço
Ultrapassa o que eu traço
Este tempo que eu faço
Controla o meu leme
Dirige o meu sonho
Mas quem o criou não foi o meu Criador
O tempo foi feito por quem por ele se rege.
O tempo aprisiona o seu próprio dono
O homem o fez, o homem lhe obedece
O que vale é que sou mulher, e por momentos ele me esquece.
Porém livremente a ele estou presa,
Mas a posteriori virá aquilo que liberta
Aquilo que não tem tempo mas é eterno,
Não entendo agora,
Não é tempo de entender,
Mas uma coisa eu sei,
Eternamente eu vou viver.
A Saudade não tem tradução
A música tenta canta-la, mas não consegue porque não a sente.
O poema tenta escreve-la mas não consegue porque não há como descrevê-la.
Os ouvidos ouvem a musica, sentem saudade…
Os olhos lêem o poema, o coração descrever a saudade,
Mas não há tradução.
A ausência do abraço, é saudade.
O que ninguém vê é a saudade.
A lágrima nasceu no amor… mas é saudade.
O coração que se comprime num sentimento sozinho
O coração que se aperta contra ele próprio… É saudade.
O que faz sorrir os lábios, apesar de tristes, é saudade.
Porque a saudade existe…
Mas não tem tradução.
Estou na Dele…
Abri o livro dele, no inicio, no fim, no meio, Li , reli..
Sentei-me na cama, no chão, na cadeira, ao computador …
Ouvi uma musica, outra vez.. e outra musica, e outra vez
Parei.
Fechei os olhos.
Pensei Nele.
Conversámos.
Estou a pensar na minha vida, na nossa vida
Estou a escrever…
Estou na minha… mas estou na Dele.
Abri o caderno, não no inicio, não no fim, não no meio, apenas abri..
sentei-me num sítio, não onde todos se sentam, não onde todos achem normal sentar, apenas sentei-me..
Ouço uma musica… linda.. ninguem sabe qual.. tambem não vou dizer.. apenas a ouço.
Estou na minha…
Estou a viver comigo
Estou a pensar na minha vida
Estou a ser egoista
Estou a escrever…
Estou na minha…
Tive um sonho…
As formigas não trabalhavam,
As abelhas não tinham riscas,
Os gatos perdiam os bigodes…
Eram todos comodistas
Um lápis escrevia a tinta,
A caneta era de carvão
A folha apagava o que nela se escrevia
Havia sempre um resmungão
Ninguém estava satisfeito
Os dedos conversavam entre si
As mãos quiseram andar no chão
E os pés ao meio-dia, fugiam de ti
A banana ia a voar
O donut passou por mim de carro
A galinha atravessou o mar
Mas que desenho animado!
Cada um era diferente
Daquilo que se esperava
Cada um tinha a sua vida
E ninguém a questionava
Até que apareceu alguém
E disse que era um sonho
Deslocado e irreal
Mas é o artigo que proponho.
Hoje o artigo é teu!
Completa com a primeira coisa que te vem á cabeça:
Quem amendoins come…
( dedicado à minha amiga Mónica Curião )